11/03/2018

união


Eu sei que nossa imensidão permeia por ecos da eternidade, mas a materialidade e ideias sobre separatividade nos influenciam a enxergar apenas o concreto do mundo. Somos tão singulares e ao mesmo tempo somos unidos ao todo. A centelha divina está em nós, a que faz parte de uma consciência universal. Abra os olhos e enxergue a vida. O mundo respira, o mundo vive. Nós vivemos e transcedemos. Eles nos fizeram superficialmente, mas esqueceram que em nós, ainda habita a voz que desperta a loucura dos normais.

CECILIA MEIRELES - CÂNTICO V
Esse teu corpo é um fardo.
É uma grande montanha abafando-te.
Não te deixando sentir o vento livre
Do Infinito.
Quebra o teu corpo em cavernas
Para dentro de ti rugir
A força livre do ar.
Destrói mais essa prisão de pedra.
Faze-te recepo.
Âmbito.
Espaço.
Amplia-te.
Sê o grande sopro
Que circula…

10/03/2018

um minuto sem sentido


nuvens em explosão que
esvai meus delírios
de alma carregada
por excesso de exaustão.

viajante que caminha
despercebida pelos olhares
e se emociona por cada detalhe
de tempestuosas metaforas

sou essa borboleta que se atira ao infinito
ignorante diante das admirações
feita de dúvidas e pensamentos que iluminam
as asas de presas emoções

desculpa, não percebo a juventude
de amores que sangram o peito
sou semente de outros mundos
que se esconde na poesia sem jeito.

As duas Fridas, Frida Kahlo


”Origem das duas Fridas. Recordação:
– Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade…. Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas…”
Diário de Frida Kahlo, sobre a tela As Duas Fridas (1939)
Na obra Las dos Fridas, de 1939, Frida Khalo mostra-se como uma mulher dividida pela dor lacerante do corpo e da instabilidade dos seus relacionamentos, e que ao mesmo tempo é intensa, apaixonada e repleta de esperança.

O quadro mostra duas Fridas sentadas sobre um sofá de cordas sem encosto, uma ao lado da outra de mãos dadas. Ao fundo temos um céu muito escuro e talvez tempestuoso dando-nos a ideia de que naquele instante a autora não vislumbrava um horizonte claro, um futuro, mas sim uma eminente tempestade. As duas Fridas olham para o mesmo lugar, com olhar altivo, concentrado e enigmático. A pele de cada uma diferencia-se através da tonalidade, uma é um pouco mais escura do que a outra, assim como as expressões faciais. A de pele mais clara tem um rosto mais suave e feminino.

Mais uma vez Frida Kahlo usou um vestido para fazer a  diferença na sua obra, os vestidos sempre foram peças importantes na composição dos seus quadros. No seu diário está relatado que no dia do seu casamento, ela optou por um vestido verde com uma capa vermelha, cores da bandeira do México. Nesta obra uma das Fridas apresenta um vestido branco, com detalhes florais em vermelho, gola alta, mangas trabalhadas, talvez influência da viagem que a pintora fizera a Paris. A outra Frida usa um vestido quotidiano, com cores fortes, poucos detalhes e uma barra enfeitada, tipicamente um vestido de Frida.

Um detalhe marcante no quadro é a exposição do coração em ambas as Fridas, que se interligam por uma artéria. O coração da Frida com traje tipico aparece inteiro, ainda que fora do corpo, mas inteiro, enquanto que a outra está com o coração partido.

O detalhe das mãos mostra quem estava a apoiar  quem. A Frida de coração inteiro é quem segura a mão da outra, e na mão esquerda ela tem um pequeno retrato de Diego Rivera. Mesmo com o coração partido, a parte feminina e delicada de Frida Kahlo, não está morta. A forte, masculinizada através de expressões e o modo de sentar-se, ainda mantém uma artéria ligada e levando vida ao coração partido da doce.

Muitos dizem que Frida era uma artista surrealista, eis a resposta dada por ela:
"Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Eu pintei minha própria realidade"
Quinze anos depois te ter pintado "As duas Fridas", a autora faleceu depois de contrair uma forte pneumonia. Foi encontrado um último bilhete em sua casa, que dizia: "Espero que a minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar - Frida".

*clique*

04/03/2018

Ser louco é ser são

“O mundo tem conhecido pessoas tão bonitas, tão loucas! Na verdade todas as grandes pessoas no mundo foram um pouco loucas – aos olhos da multidão. Suas loucuras tiveram expressão porque elas não eram miseráveis, elas não tinham medo, elas não estavam preocupadas com o trivial. Elas estavam vivendo cada momento com totalidade e intensidade e, por causa dessa totalidade suas vidas se tornaram uma linda flor –elas estavam cheias de fragrância, de amor, de vida e de riso.
É preciso reunir coragem e, se as pessoas disserem que você é louco, divirta-se com a idéia. Diga a elas: “Você está certo, neste mundo somente pessoas loucas podem ser alegres e felizes. Eu optei pela loucura juntamente com a alegria, com o êxtase, com a dança; você optou pela sanidade com a angústia, com o inferno – nossas opções são diferentes. Continue são e pareça miserável; deixe-me só na minha loucura. Não se sinta ofendido. Eu não estou me sentindo ofendido por todos vocês – tantas pessoas sãs, equilibradas no mundo e eu não estou me sentindo ofendido."
(Osho )
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