23/12/2019

Endangerhood - Identidade coletiva de arte e histórias


O que acho mais interessante das redes sociais é justamente a abrangência no compartilhamento de diversas vertentes do conhecimento e também a disparidade de projetos lindos que as pessoas espalham pela internet, afim de divulgar suas próprias expressividades em meio a este mundo virtual. Encontrei recentemente pelo instagram um perfil chamado endangerhood no qual continha um apanhado de artes no estilo que curto bastante. Abri um dos posts e quão grandiosa foi minha surpresa por saber que os videos curtinhos publicados possuíam tradução para outros idiomas, inclusive para o português!


Originalmente, Ryan (idealizador do projeto) criou este perfil apenas para seu uso pessoal, no qual compartilharia sobre si e seus filhos. A ideia era postar também assuntos relacionados sobre ajudar animais e o meio ambiente. Porém, como ele viaja muito e seus filhos nem sempre querem estar nos videos, sentiu então a necessidade de encontrar alguma saida criativa no qual pudesse realizar em APENAS uma hora, já que ele é pai e tem um emprego, precisaria se dedicar também a suas outras responsabilidades.
Então, como Ryan trabalha com realidade virtual e está sempre atento a respeito de animações, acabou encontrando o Adobe Character Animator e começou sua produção criando videos para os seus filhos. Ele viu que esta ideia era sensacional, pois acabou ficando legal :) Foi ai que resolveu expandir um pouco mais.
No seu primeiro video contando um pouco sobre como se sentia,  ele percebeu que seria uma otima oportunidade abrir espaço para que outras pessoas fizessem o mesmo, enviando suas histórias para que elas pudessem ganhar um pouco de vida através da arte.

Segundo Ryan, as pessoas nos EUA costumam não assistir tanto seus videos, sua popularidade é mais expansiva e atinge diversos lugares pelo mundo afora, especialmente o Brasil, Argentina e Rússia.
Foi aí que ele começou a traduzir os videos, começando pelo espanhol, isto deu margem para que o seu belissimo projeto pudesse ser inclusivo e com boas possibilidades para atingir diversos lugares.

O endangerhood se tornou uma identidade coletiva criada ao animar a arte com histórias de pessoas de todo o mundo.

Caso você tiver interesse em contribuir no projeto você pode acessar este link e escolher sua forma de contribuição. Há algumas alternativas legais como por exemplo, atuar na contação de histórias ou enviar sua própria mensagem :) Vale muito a pena conhecer este trabalho tão bonito! ❤

25/10/2019

fantasy...

 "Saruman acredita que apenas um grande poder pode manter o mal sobre controle, mas não é o que descobri. Descobri que são as pequenas coisas, as tarefas diárias de pessoas comuns que mantém o mal afastado, simples ações de bondade e amor." - Gandalf

15/10/2019

escultura em madeira - Tom Booth





Tom Booth desenha a solidão de uma pessoa severa. Em suas ilustrações, ele cria a imagem de um homem grande e forte que realmente precisa de amor. Aparentemente, ele não teve sucesso, então começou a escupir o amor em uma árvore...Estas estatuetas de madeira frágeis são as melhores demonstrações do estado de espirito do herói.

Embora possa ter outros sentidos, seja a saudade de uma pessoa que foi embora ou a ausencia de um sentimento que não foi descoberto, as ilustrações conseguem mostrar a magia da arte, que também pode ocorrer sob o machado áspero de um lenhador.

11/09/2019

dualidade

diante de um papel que faça-me sentir o calor de minha própria coexistência, intrinsecamente dispostos para entrarem em dualidade sobre fatalidades reais, as pérolas que dançam por este âmago paradoxal entram em colapso, não sei se é Vida ou Morte, nebulosidades ou novas descobertas, mas sei que incomoda enquanto pairo por uma falsa face de neutralidade.
a ordem do caos fascina o desassossego da paz que reina ao meu redor, declinam juntos em sintonia, em dias ensolarados rejuvenescem e vibram ao som do abstrato, em noites sem luar acalentador, perdem a memória e se atrapalham por escuridões intermináveis.
o que seria, afinal, a identidade desta teimosia? Há uma incognita que permanece timida a cada passo de meus repentinos lampejos de coragem. Seguirei com intensidade, ou serei desobediente aos meus furacões, cedendo ao aconchego do medo?
a cada cintiliar de uma breve respiração ofegante, já mudei-me completamente. Temperamentalmente, persigo as utopias de alguem que já nada sabe sobre si.
Atentando-me ao que é encantador,
escapando em desvantagem de um bobo desalento...

02/09/2019

Poesia (Poetry) [Shi] - Lee Chang-dong

Mija é uma simpática senhora de 66 anos que vive uma vida de certa forma solitária. Sua aposentadoria não é suficiente para sustentar ela e seu neto adolescente no pequeno apartamento na qual vivem, portanto ela complementa sua renda como empregada doméstica cuidando de um senhor que possui dificuldades em se locomover. Ela descobre que está sofrendo de Alzheimer e em seguida acaba por entrar em um clube de Poesia. Porém, um fato trágico abala seu sossego e Mija precisa conciliar seus tormentos particulares. Por um lado, há a dificuldade em escrever poesia, do outro lado há o desassossego em ter que tirar forças para lidar com os acontecimentos que resultaram em um crime cometido pelo membro da família.
Achei interessante em como o filme aborda de uma forma sútil uma dualidade poética entre a ternura de um sorriso ao contemplar a beleza das flores, apreciando os detalhes singelos de encantadoras formas de vida, como também mostra a melancolia e as vivências de um drama trágico, na qual Mija vai tentando se inserir em uma realidade mais cruel, afinal, para escrever poesia não é necessário se apegar apenas ao que é belo. 
Ao longo do filme, a simplicidade do cotidiano em que vamos adentrando nos conecta com diversas faces da existência, de uma forma bem mais poética e delicada. Somos apresentados a uma normalidade individual rica em diversidade, em que através da busca de um sentido existencial espontâneo e na vivência de algo mais profundo, mesmo que entre em conformidade a brandura com a outra faceta da brutalidade, encontramos em ambos os casos, poesia.

"A poesia tende a ser abstrata. Poemas, em geral, são sobre coisas que não vemos e me parecia intrigante trabalhar com abstrações num meio tão concreto e visual como o cinema. A poesia responde a questões profundas, ao próprio sentido da vida. Satisfaz nossa necessidade de beleza e tudo isso contribui para a tessitura temática, e dramática do filme. A poesia interage com as histórias. Foi um roteiro que me saiu de um jato, mas depois fiquei polindo. Acho que se percebe isso." - Lee Chang-dong







26/08/2019

Morgana, a Fada

Morgana fala…

Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. Na verdade, cheguei agora a ser maga, e poderá vir um tempo em que tais coisas devam ser conhecidas. Verdadeiramente, porém, creio que os cristãos dirão a última palavra.
O mundo das fadas afasta-se cada vez mais daquele em que Cristo predomina. Nada tenho contra o Cristo, apenas contra os seus sacerdotes, que chamam a Grande Deusa de Demônio e negam o seu poder no mundo. Alegam que, no máximo, esse seu poder foi o de Satã. Ou vestem-na com o manto azul da Senhora de Nazaré — realmente poderosa, ao seu modo - que, dizem, foi sempre virgem. Mas o que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade?
E agora que o mundo está mudado e Artur — meu irmão, meu amante, rei que foi e rei que será — está morto (o povo diz que ele dorme) na ilha sagrada de Avalon, é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e suas lendas. Pois, como disse, o próprio mundo mudou.
Houve um tempo em que um viajante, se tivesse disposição e conhecesse apenas uns poucos segredos, poderia levar sua barca para fora, penetrar o mar do Verão e chegar não ao Glastonbury dos monges, mas à ilha sagrada de Avalon; isso porque, em tal época, os portões entre os mundos vagavam com as brumas e estavam abertos, um após o outro, ao capricho e ao desejo do viajante. Esse é o grande segredo, conhecido de todos os homens cultos de nossa época: pelo pensamento criamos o mundo que nos cerca, novo a cada dia. E agora os padres, acreditando que isso interfere no poder do seu deus, que criou o mundo para ser definitivamente imutável, fecharam os portões (que nunca foram portões, exceto na mente dos homens), e os caminhos só levam à ilha dos padres, que eles protegeram com o som dos sinos de suas igrejas, afastando todos os pensamentos de um outro mundo que vive nas trevas.
Na verdade, dizem eles, se aquele mundo realmente existe, é propriedade de Satã e a porta do inferno, se não o próprio inferno. Não sei o que o deus dele pode ter criado ou não. Apesar das histórias contadas, nunca soube muito sobre seus padres e jamais usei o negro de uma de suas monjas-escravas. Se os cortesões de Artur em Camelot fizeram de mim este juízo, quando lá fui (pois sempre usei as roupas negras da Grande Mãe em seu disfarce de maga), não os desiludi. E na verdade, ao final do reinado de Artur, teria sido perigoso agir assim, e inclinei a cabeça à conveniência como nunca teria feito a minha grande senhora, Viviane Senhora do Lago, que depois de mim foi a maior amiga de Artur, para se transformar mais tarde em sua maior inimiga, também depois de mim.
A luta, porém, terminou. Pude finalmente saudar Artur, em sua agonia, não como meu inimigo e o inimigo de minha Deusa, mas apenas como meu irmão e como um homem que ia morrer e precisava da ajuda da Mãe, para a qual todos os homens finalmente se voltam. Até mesmo os sacerdotes sabem disso, com sua Maria sempre-virgem em seu manto azul, pois ela, na hora da morte, também se transforma na Mãe do Mundo.
E assim, Artur jazia enfim com a cabeça em meu colo, vendo-me não como irmã, amante ou inimiga, mas apenas como maga, sacerdotisa, Senhora do Lago; descansou, portanto, no peito da Grande Mãe, de onde nasceu, e para quem, como todos os homens, tem de finalmente voltar. E talvez — enquanto eu guiava a barca que o levava, desta vez não para a ilha dos padres, mas para a verdadeira ilha sagrada no mundo das trevas, que fica além do nosso, para a ilha de Avalon, aonde agora poucos, além de mim, poderiam ir — ele estivesse arrependido da inimizade surgida entre nós.
Ao contar esta história, falarei por vezes de coisas que ocorreram quando eu ainda era demasiada jovem para compreendê-las ou quando não estava presente. Meu leitor fará uma pausa e dirá, talvez: “Esta é a sua magia”. Mas eu tive sempre o dom da Visão, de ver o interior da mente dos homens e mulheres; e, durante todo esse tempo, estive perto de todos. Assim, por vezes, tudo o que pensavam era do meu conhecimento, de uma forma ou de outra. Por isso, contarei esta história. Um dia também os padres a contarão, tal como a conhecem. Talvez entre as duas se possam perceber alguns lampejos de verdade. O que os sacerdotes não sabem, com o seu Deus Uno e sua Verdade Única, é que não existe história totalmente verdadeira. A verdade tem muitas faces e assemelha-se à velha estrada que conduz a Avalon; o lugar para onde o caminho nos levará depende da nossa própria vontade e de nossos pensamentos, e talvez, no fim, cheguemos ou à sagrada ilha da eternidade, ou aos padres, com seus sinos, sua morte, seu Satã e o inferno e danação… Mas talvez eu seja injusta com eles. Até mesmo a Senhora do Lago, que odiava a batina do padre tanto quanto teria odiado a serpente venenosa, e com boas razões, censurou-me certa vez por falar mal do deus deles. Todos os deuses são um só Deus, disse ela, então, como já dissera muitas vezes antes, e como eu repeti para minhas noviças inúmeras vezes, e como toda sacerdotisa, depois de mim, há de dizer novamente, “e todas as deusas são uma só Deusa, e há apenas um iniciador. E a cada homem a sua verdade, e Deus com ela.” Assim, talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho de Avalon, perdido para sempre nas brumas do mar de Verão.
Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana, que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada.

Trecho retirado de “A Senhora da Magia — As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley

18/08/2019

fantasia e realidade de Leonardo

trecho retirado do livro Leonardo da Vinci - Walter Isaacson
Este, em poucas palavras, era o principal talento de Leonardo: a habilidade de traduzir, em um misto de observação e imaginação, "não apenas as obras da natureza, mas também as coisas infinitas que a natureza jamais criou".
Leonardo acreditava em usar a experiência como base para o conhecimento, mas também alimentava sua paixão pela fantasia. Ele se deliciava com as maravilhas que podem ser vistas pelo olho tanto quanto com as que só existiam na imaginação. Por isso, sua mente conseguia dançar magicamente e, às vezes, freneticamente, de um lado para o outro sobre a linha difusa que separa a realidade da fantasia.
Vejamos, por exemplo, seu conselho sobre olhar para uma parede "manchada ou composta por vários tipos de pedras": Leonardo era capaz de olhar para uma parede como essa e distinguir com precisão as camadas estratificadas de cada pedra e outros detalhes pontuais, mas também sabia de que forma usá-la como um trampolim para sua imaginação e "uma maneira de estimular e atiçar a mente para várias invenções". Como escreveu no conselho para jovens artistas:
Talvez você descubra nos padrões da parede alguma semelhança com várias paisagens, adornadas com montanhas, rios, rochas, árvores, planícies, vales amplos e colinas em variadas formações; ou talvez você veja batalhas e figuras em plena ação; ou rostos estranhos, fantasias e uma variedade infinita de objetos, que você poderia transformar em formas bem desenhadas e acabadas. O efeito produzido por esse tipo de parede salpicada de manchas é parecido com o do som dos sinos, no qual é possível reconhecer qualquer nome ou palavra que quiser imaginar (...) Você não deve ter dificuldade para observar manchas em paredes, ou as cinzas de uma fogueira, ou as nuvens, ou a lama e, se prestar muita atenção nessas coisas, pode encontrar nelas ideias maravilhosas, porque coisas obscuras estimulam a mente a inventar outras novas.
Leonardo foi um dos observadores da natureza mais disciplinados da história, porém suas habilidades de observação confluíram em vez de conflitar com sua imaginação. Assim como a paixão tanto pela arte quanto pela ciência, suas habilidades de observação e imaginação se combinaram, formando a essência de sua genialidade. Ele possuía uma criatividade combinatória: da mesma maneira que decorou um lagarto de verdade com várias partes de outros animais para transformá-lo em um monstro similar a um dragão, fosse para uma apresentação na corte ou para um desenho elaborado, ele conseguia identificar os detalhes e padrões da natureza e depois reordená-los, produzindo combinações muito inovadoras.

Não surpreende que Leonardo tenha tentado encontrar uma explicação cientifica para esse talento. Quando mapeou o cérebro humano durante os estudos anatômicos, ele localizou a habilidade humana para a fantasia em um ventrículo no qual ela poderia interagir diretamente com a capacidade do pensamento racional.

08/08/2019

as deusas mais poderosas das antigas civilizações

Imagem relacionada

As mais poderosas são aquelas capazes de acabar com o mundo - e não são poucas. Os primeiros registros sobre elas apareceram na Europa e no Oriente Médio entre 7000 e 5000 a.C, quando personagens femininas tinham o mesmo peso que masculinas (as mitologias de forma geral, ficaram mais masculinizadas a partir de 1000 a.C) A figura da Mãe Terra por exemplo, estava presente em quase todas as civilizações que dependiam da agricultura, da Ásia à América. É o caso de Gaia, deusa-mãe dos gregos, e de Ísis, criadora da Natureza na mitologia egipicia.

01/08/2019

teoria dos seis graus de separação



É uma teoria que diz que todas as pessoas estão interligadas por um número pequeno de conexões. A origem não é cientifica, mas literária: foi criada em 1929 pelo escritor húngaro Frigyes Karinthy no livro Tudo É Diferente. Para Karinthy, os avanços na comunicação e nos transportes fariam com que, apesar da distância entre as pessoas, os círculos sociais ficassem cada vez maiores.

A partir dessa hipótese, ele concluiu que duas pessoas quaisquer (A e G) estariam separadas por outras cincos (A conhece B, que conhece C, que conhece D, que conhece E, que conhece F, que conhece G). Portanto, seis graus. A ficção inspirou a realidade, e a ideia serviu de base para estudos de matemática, computação e ciências sociais que abordam o conceito de redes de influência e difusão de informação.

O primeiro teste
Em 1960, o psicólogo americano Stanley Milgram enviou 300 pacotes a moradores de alguns lugares dos EUA. Junto com a encomenda, um bilhete pedia que as pessoas fizessem o pacote chegar a um homem específico de Boston. Para isso, elas deveriam enviar a caixa a um conhecido, até que ela chegasse à pessoa. Cem pacotes atingiram o destino final, e eles passaram por seis etapas.

Na época digital
Pesquisadores da Universidade Columbia, nos EUA, em 2002, escolheram 61.168 participantes para enviar mensagens a 18 alvos específicos, que iam de veterinários noruegueses a estudantes na Sibéria. Apesar de somente 324 mensagens terem chegado aos 18 escolhidos, os e-mails passaram por, em média, cinco a sete pessoas.

No livro de rostos
Os dois testes foram replicados, em 2016, pelo Facebook e sua base de 1,59 bilhão de usuários cadastrados. O resultado, obtido por meio de algoritmos estatísticos e cruzamento de dados, indicou que havia uma média de 3,57 a 4,57 graus de separação entre você, Beyoncé, o papa Francisco e o Zé da Esquina. As redes sociais aproximaram ainda mais os seres humanos. Pelo menos nos números.

fonte: mundo estranho

27/07/2019

faíscas em cada detalhe



Há um sentimento perspicaz e peculiar que fez morada nas raizes da música mais intensa, do olhar mais feroz, do sorriso mais sincero e do legado apaixonadamente inesquecivel. Enquanto somos devorados pelo prazo desta curta existência, entramos em uma corrosão insatisfatória ao, inevitavelmente, correr em busca de resultados superficiais. Mas eu sei que há beleza nos detalhes de toda esta realidade, vim para cá de mundos distantes, respiro utopias de um infinito que me acompanha durante a eternidade que vivo, flutuo em harmonia com a liberdade, uma mera viajante que sente em demasia os detalhes mais singelos, reconheço o peso que semeia nos corações mundanos. Meu olhar perfura camadas extensas, indo ao encontro de esconderijos clandestinos que passam despercebidos e inseguros diante de toda esta pressa. Não sou a mais vivida, muito menos a mais corajosa...entre um vazio e outro, vou encontrando meu espaço por esta superficie, embora cheia de crateras desconhecidas e perigosas, admiro incansavelmente as estrelas que encontro por toda escuridão. Gosto daqui, fiz uma caverna aconchegante. Ouço daqui os suspiros do mar, sinto o peso de quem amou a arte, danço em sintonia com a simetria desordenada de galáxias distantes, atentando-me ao pudor de ser esta conflituosa esquisita, agradecida pela oportunidade de não mais condenar a sensibilidade que há tempos tentava esquecer.
Não perco a esperança de conhecer mais do mundo, talvez me desvirtue ou, quem sabe, aprimore meus sentidos para atentar-me cada vez mais aos belos registros que existem em todo este concreto.
Há um sentimento perspicaz e peculiar que faz morada em raizes poéticas movidas ao que é sincero e apaixonante, é um detalhe que não consigo descrever, ele me lembra um prazer irreal de, especialmente, sermos um nada e tudo ao mesmo tempo...E se fosses apenas sentimento de fantasmas moldados pela dança do infinito?

24/04/2019

anarquia fugaz


Dançam na melodia cósmica os viajantes que renascem ao Leste, trazendo em suas asas a luz de mais um amanhecer. O que te espera, afinal, quando descansar teu corpo frio ao Oeste de teu passeio?
O infinito te espera clandestinamente a cada novidade sensível, disfarçado em véus de lucidez que propagam em pequenas eternidades.
Sem saber o que o pássaro canta na aurora, todas as máscaras inevitavelmente contemplam o som da inocente liberdade.
Sem entender a dimensão surreal dos movimentos artísticos que fervem a essência de um desassossegado, o bailarino plenamente anuncia sua consciência perante o cosmos que lhe habita em uníssono.

O que te faz sentir
o equilíbrio
da existência
que permeia entre
o Céu e
a
Terra?


12/04/2019

efusiva


Pelos barulhos desprovidos de juízo
um lamento se converte em serenidade
e os sussurros inquietantes do mistério
rodeiam livres em cadeias de complexidade.
Perpetuo nas palavras a solitude amiga
rarefeita de ilusões que ofuscam o equilíbrio
e, por entre agonias de dúvida sem destino
a normalidade se encontra em um deserto sideral
Mas quem sois, viajante aflita?
Integrante de estatísticas insensitivas
ou revolucionária de vazios incompreendidos?

Perturbada por sensações em labirintos de vidro
a faísca das retinas acendem para o novo mundo
e, silenciosa, na ingenuidade do crescimento 
me desprendo de despretensiosos carnavais.

(em desespero, aconchego-me em utopias descomunais)

07/11/2018

As Ninféias de Claude Monet


Na sua residência em Giverny na Alta Normandia francesa, Claude Monet cuidou pessoalmente de todo o planejamento do seu famoso jardim. De acordo com as ideias de Monet, as formas e as cores das plantas transformaram-se numa obra prima.
Monet criou o seu universo de cores, em busca de contrastes, que seu olhar captava através da luz.

A cada repetição acrescentava um novo efeito à sua pintura, no entrosamento perfeito entre a luz e as cores.
Entre os tantos quadros que Monet pintou tendo o seu jardim como modelo favorito, destaca-se as Ninféias ou Nenúfares, flores aquáticas, em diferentes cores suaves que enfeitam, até hoje, o lago do jardim.

“Todos discutem minha arte e fingem compreender, como se fosse necessário compreendê-la, quando é simplesmente necesssário amar.” – Claude Monet


Em 1883, Monet decide morar numa pequena propriedade campestre em Giverny, no departamento de Eure, Alta Normandia.  Ali, ele cria um “ jardim d’água” (“jardin d’eau“) cujas ninfeias, íris e chorões irão se tornar conhecidos mundialmente graças às  pinturas que faz, a partir de 1885.

A partir de 1897, Monet idealiza um projeto de um amplo conjunto decorativo, fundindo o movimento impressionista com suas criações em seu ”jardim d’água“. Em 1918 ele doa ao governo francês o conjunto da série das Ninfeias em agradecimento aos sacrifícios feitos pela pátria francesa durante a guerra. Para abrigar o conjunto, o museu de Orangerie sofre profunda transformação, adaptando-o para que as obras sejam admiradas em seu total esplendor.

Fonte: História da Arte, Revista Prosa, verso e arte.

23/09/2018

Qing Jing Ching - Tratado da Clareza e da Quietude

O Qing Jing Ching é uma obra clássica Taoísta, anônima e escrita provavelmente no século IX, durante a Dinastia Tang (618-907 d.c.). A obra é curta e combina alguns ensinamentos deixados por Lao-Tzu em seu aclamado livro Tao Te Ching com alguns ensinamentos do Sutra do Coração, importante obra do Budismo Mahayana. Um conhecedor das duas obras, notará, claramente e sem dificuldades as referências do texto a tais obras. Esse tratado indica o caminho do Tao, da união com o absoluto, imutável e imanifesto – a iluminação. A palavra Ching (經) significa, livro ou tratado; Qing (清) significa clareza, pureza e Jing (靜) significa quietude, não movimento, tranquilidade ou calma. Desta maneira, Qing Jing Ching (清靜經) é traduzido como Tratado da Clareza e da Quietude. Outras opções de tradução são: Tratado da Transparência e da Quietude, Clássico da Pureza e da Tranquilidade, Sutra da Pureza e da Quietude, entre outros.

31/08/2018

Humano - Uma viagem pela vida

Com testemunhos e imagens aéreas exclusivas, o introspectivo documentário aborda quem nós somos hoje em dia. Não só como comunidade, mas como indivíduos. Através das guerras, descriminações e desigualdades, confrontamos a realidade que também contempla discursos de solidariedade. Uma reflexão do futuro que queremos para nós, seres humanos, e o planeta.

2.020 pessoas foram entrevistadas, em 60 países e 60 linguas diferentes em um tempo de dois anos. Os temas abordados tem haver com o sentido da vida, amor, experiencias difíceis, liberdade, morte, pobreza, imigração, guerra, preconceitos... Ao invés de olhar para estatísticas, o diretor se concentrou naqueles que enfrentam este problema diariamente. O filme, então, foi desenvolvido a partir de três pilares:
a voz do povo
Cada pessoa faz seu depoimento alocados em um fundo negro, no qual a câmera realça o contraste de seus rostos e possibilita uma exposição real sobre os sentimentos humanos e as peculiaridades que envolvem a vida de cada um, desenvolvendo uma compreensão a partir de cada testemunho.
a voz da terra
Imagens incríveis que compõem um intervalo entre um bloco e outro, no qual se forma uma conexão entre a humanidade e o planeta, oferecendo a todos a realidade desigual e uma reflexão sobre o que estamos fazendo com a natureza.
voz da música
A trilha sonora do documentário é um espetáculo a parte. Entre um grupo de entrevistas e outros, somos apresentados ao que tem de melhor com belas fotografias e músicas que conseguem extrair o que tem de bom dentro de nós, além de criar uma narrativa audiovisual impressionante, com textura e tão profunda que é capaz de nos provocar empatia com as diversas realidades.




O olhar do cineasta oferece um holofote àqueles que invariavelmente estão à margem da sociedade. Muitos são os depoimentos que emocionam apenas pela história que contam. O homem que aprendeu o que era amor com o perdão da mãe da mulher que assassinou. A mulher que passava fome em uma favela enquanto que na rua ao lado ricos esbanjavam comida. Os milhares que fugiam do interior da Índia pela falta de água e iam trabalhar na construção civil, erguendo edifícios milionários com piscinas particulares a cada andar. O chefe da tribo que convida seus inimigos para virem jantar com ele, pois está na hora de aprendermos a compartilhar, e não mais a lutar pelas mesmas coisas.

Cada voz possui uma intensidade, mas é em conjunto que a força se multiplica e é impossível ignorar a viagem pela vida que cada humano está destinado a fazer.



Um documentário intenso no qual tive a possibilidade de me envolver com outras vidas, resgatando em meus anseios uma esperança de viver consciente de acordo com a realidade que me foi imposta, mas sem esquecer minha essência humana de ser única e que luta a cada dia por algo que traga felicidade. Queremos deixar nossa marca no mundo, mas o que nos torna tão importantes, mesmo com legados invisíveis, é a experiencia de termos o dom da vida.

Não esqueça que precisamos estar todos juntos neste equilíbrio entre o bem e o mal.

04/08/2018

As ilustrações de Marco Melgrati

Marco Melgrati é um ilustrador italiano nascido em Milão e, atualmente, mora na Cidade do México. Seus desenhos promovem perspectivas controversas e fazem as pessoas refletirem, com efeito, sobre algumas verdades inconvenientes dos tempos atuais.
A questão é: estamos vivendo ou sobrevivendo?

18/07/2018

Poesia mística de Rumi


Pouco conhecido no Brasil, o sufismo é uma fraternidade espiritual nascida na antiga Pérsia e marcada pela busca de liberdade interna. Seus adeptos são, muitas das vezes, artistas, poetas, músicos, dançarinos, atores, que se utilizam da arte como meio de afinar sua espiritualidade. Dessa maneira, eles se destacam por criar meditações criativas e inspiradas, alegres e despojadas.

O sufismo é um movimento espiritual que se infiltra em todas as demais escolas espirituais e religiões e tenta extrair de cada uma delas suas verdades mais íntimas e secretas. Sua essência é aceitar qualquer experiência e decifrar a inteligência camuflada por trás dela. Dessa maneira, um sufi nunca evita uma experiência, mas busca usá-la, seja qual for, como caminho para a vivência da espiritualidade.

O caminho dos sufis rumo à realização espiritual passa sempre pelo coração. Ser um sufi significa viver um caso de amor com a espiritualidade, envolvendo a paixão fervorosa de um amante e a maturidade tranquila de um amor fraterno.

Pode-se mesmo dizer que os dois referenciais máximos do sufismo são o a liberdade e o amor. Rumi, poeta sufi do século XII resume este espírito em seus versos:

Ó amantes, abandonai as tolas ilusões. 
Enlouquecei, perdei de vez a cabeça. 
Erguei-vos do fogo ardente da vida 
– tornai-vos pássaros, sede pássaros

O arrebatamento que Rumi evoca é a matriz do comportamento sufi, a entrega sem limites, sem medir as conseqüências e principalmente, sem medir o quanto se dá e o quanto se espera de volta, a entrega total como se não houvesse outra coisa a ser feita. A entrega que só conhecem aqueles que estão embriagados pela paixão.

Rumi pede em seus versos uma atualização constante do sentir

Limpa teu coração dos velhos rancores, 
lava-o sete vezes 
e serve o vinho do amor 
torna-te o amor.

Esse é o cerne do sufismo, amar infinitamente o finito, de forma que o contato com o infinito não esteja fora, mas dentro de si. Amar tão infinitamente, que não é preciso alcançar algo fora de si que contenha, como “prêmio”, a espiritualidade, mas que essa própria intensidade e pureza de amor, possa traduzir o néctar da espiritualidade.

Dessa maneira, para o sufi, mais importante que “o que” fazer, é “como” fazê-lo, com que sinceridade interna, com que inteireza, com que intensidade de doação de si. Assim, segue Rumi no poema:

Enche tua alma de todo o amor, 
transforma-o na alma suprema. 
Senta à mesa dos santos,  
embriaga-te, sê o vinho.”

Sim, “sê o vinho”, quem é capaz de reconhecer o próprio néctar e embriagar-se dele? Todos o são, potencialmente, mas na prática, quantos o fazem?

Dentro do coração empedernido do homem 
arde o fogo que derrete o véu de cima abaixo. 
Desfeito o véu, 
o coração descobre as histórias de Hidr 
e todo o saber que vem de nós.

Sim, o mestre sufi aponta o tempo todo para isso: o grande saber não está em nenhum livro, mas no centro do peito da pessoa; Rumi, um dos maiores intelectuais e eruditos de sua geração, achava a erudição um perigo, que poderia afastar a pessoa de sua fonte mais pura de sabedoria, o coração. Por isso, não se contentou em criar algumas das mais belas e populares poesias persas de todos os tempos, mas criou também a mais famosa meditação sufi, o sama, o giro dos Dervishes.

Para conhecer a riqueza do universo sufi, é necessária a prática, mais que qualquer conhecimento escrito. Como diz Rumi,

A palavra surge da alma, 
mas diante dela se apequena  
…ter sabedoria e vertê-la em palavras 
é a honra maior a nós concedida, 
mas, diante do sol da verdade, 
fala e saber minguam e desaparecem.

Esse foi o recado de Rumi e tem sido o de todo o movimento sufi: se você quer conhecer a verdade interior, leia o quanto quiser, ou simplesmente não leia, mas, “pratique”, se você quer falar sobre espiritualidade, conheça-a primeiro, de verdade. O meio para isso pode ser praticar as meditações sufis. Com o coração.

Veja algumas poesias de Rumi a seguir

13/07/2018

nas intensidades do mar - amanda almeida


Em uma noite de dezembro de 2017, escrevi alguns poeminhas rapidamente sobre momentos que passei junto ao mar. Lembrei-me de algumas memórias interessantes e filosóficas e tentei expressá-las em poesias simbólicas e um pouco misteriosas, com palavras cuja timidez ainda é pura. Mostrei para duas pessoas, fiquei com vergonha de compartilhar, mas resolvi deixar registrado aqui no Imaginantes.
Todos os momentos singulares no qual escrevi, eles possuem uma particularidade que acabei transformando em poema, podendo envolver solitude, céu, fortes emoções, dúvidas, pensamentos, filosofia e outros detalhes que foram essenciais para serem inesqueciveis. 

Você encontrará poesias que foram escritas freneticamente enquanto a mente não parava quieta e os dedos não se calavam por um segundo. Uma palavra atrás da outra surgia repentinamente. As memórias tagarelavam querendo se manifestar a todo instante. São apenas 7 poeminhas ^^




09/07/2018

Escolha o seu sonho, Cecilia Meireles



Devíamos poder preparar os nossos sonhos como os artistas, as suas composições. Com a matéria sutil da noite e da nossa alma, devíamos poder construir essas pequenas obras-primas incomunicáveis, que, ainda menos que a rosa, duram apenas o instante em que vão sendo sonhadas, e logo se apagam sem outro vestígio que a nossa memória.


Como quem resolve uma viagem, devíamos poder escolher essas explicações sem veículos nem companhia – por mares, grutas, neves, montanhas e até pelos astros, onde moram desde sempre heróis e deuses de todas as mitologias, e os fabulosos animais do Zodíaco.

Devíamos, à vontade, passear pelas margens do Paraíba, lá onde suas espumas crespas correm com o luar por entre as pedras, ao mesmo tempo cantando e chorando. – Ou habitar uma tarde prateada de Florença, e ir sorrindo para cada estátua dos palácios e das ruas, como quem saúda muitas famílias de mármore… – Ou contemplar nos Açores hortênsias da altura de uma casa, lagos, de duas cores e cestos de vime nascendo entre fontes, com águas frias de um lado e, do outro, quentes… – Ou chegar a Ouro Preto e continuar a ouvir aquela menina que estuda piano há duzentos anos, hesitante e invisível – enquanto o cavalo branco escolhe, de olhos baixos, o trevo de quatro folhas que vai comer.

Quantos lugares, meu Deus, para essas excursões! Lugares recordados ou apenas imaginados. Campos orientais atravessados por nuvens de pavões. Ruas amarelas de pó, amarelas de sol, onde os camelos de perfil de gôndola estacionam, com seus carros. Avenidas cor-de-rosa, por onde cavalinhos emplumados, de rosa na testa e colar ao pescoço, conduzem leves e elegantes coches policromos …

… E lugares inventados, feitos ao nosso gosto; jardins no meio do usar; pianos brancos que tocam sozinhos; livros que se desarmam, transformados em música. […]

Devíamos poder sonhar com as criaturas que nunca vimos e gostaríamos de ter visto: Alexandre, o Grande; São João Batista; o Rei Davi a cantar; o Príncipe Gautama…

E sonhar com os que amamos e conhecemos, e estão perto ou longe, vivos ou mortos… Sonhar com eles no seu melhor momento, quando foram mais merecedores de amor imortal…

Ah!… – (que gostaria você de sonhar esta noite?)

* Crônica extraída do Livro “Escolha o seu sonho” de Cecília Meireles. 4ª ed., Rio de Janeiro: Global Editora, 2016.