28/06/2017

Mitologia Grega: Dédalo e Ícaro

"O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu" -Tendo a Lua, Paralamas do Sucesso

Dédalo é obrigado a emprestar a sua obra inventiva aos reis aos quais serve, limitando a liberdade da sua arte. É o gênio de intelecto imodesto, de vaidade inesgotável, que não suporta quando se vê ultrapassado pelo discípulo e sobrinho Talo, assassinando-o friamente por causa da inveja.  Do alto do Olimpo, Atena a deusa da sabedoria, o assistia e transformou a alma de Talo numa perdiz. Perseguido pelo crime, Dédalo inicia uma jornada peregrina, fazendo-o escravo dos reis que o acolhe. O ego inflamado e ciumento do artista aprisiona a sua arte. Fugitivo, Dédalo aporta em Creta, acolhido pelo soberano Minos. Será naquela ilha que ele desenvolverá, a mando do rei, o Labirinto, construído para aprisionar o Minotauro, ser monstruoso, com a cabeça de touro e corpo de homem. Era um edifício com inúmeros corredores tortuosos que davam uns para o outros e que pareciam não ter começo nem fim, como o rio Meandro, que volta sobre si mesmo e ora segue para adiante, ora para trás, em seu curso para o mar. 
Mas Dédalo será feito prisioneiro pelo rei, sendo acusado de conspirar contra o rei e ajudar Teseu a derrotar o minotauro,  sendo então, aprisionado ao lado do único filho, o ingênuo e sonhador Ícaro, no Labirinto. 
Imagem relacionadaEles não podiam sair da ilha por mar, pois o rei mantinha severa vigilância sobre todos os barcos que partiam e não permitia que nenhuma embarcação zarpasse antes de rigorosamente revistada.

"Minos pode vigiar a terra e o mar, mas não o ar"-pensou Dédalo. "Tentarei esse caminho".

Pôs-se, então, a fabricar asas para si mesmo e para seu jovem filho. Uniu as penas, começando das menores e acrescentando as maiores, de modo a formar uma superfície crescente. Prendeu as penas maiores com fios e as menores com cera, e deu ao conjunto uma curvatura delicada, como as asas das aves. O menino Ícaro, de pé, ao seu lado, contemplava o trabalho, ora correndo para ir apanhar as penas que o vento levava, ora modelando a cera com os dedos. Quando o trabalho foi terminado, o artista, agitando as asas, viu-se flutuando e equilibrando-se no ar. Em seguida, equipou o filho da mesma maneira e ensinou-o a voar.

- Ícaro, meu filho, recomendo-te que voes a uma altura moderada, pois, se voares muito baixo, a umidade emperrará tuas asas, e se voares muito alto, o calor as derreterá. Conserva-se perto de mim e estarás em segurança.


Depois, elevando-se em suas asas, voou, encorajando o filho a fazer o mesmo e olhando para trás, a fim de ver como o menino manejava as asas. Até que Ícaro, exultante com o voo, começou a abandonar a direção de seu pai e a elevar-se para alcançar o céu. A proximidade do ardente sol amoleceu a cera que prendiam as penas e estas desprenderam-se. O jovem agitava os braços, mas já não havia penas para sustentá-lo no ar. Lançando gritos dirigidos ao pai, mergulhou nas águas azuis do mar.

- Ícaro, Ícaro, onde estás? -gritou o pai.
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Afinal, viu as penas flutuando na água e, amargamente, lamentou a própria arte. Dédalo desceu para apanhar o cadáver do filho e quando caminhava entre os arbustos para sepultá-lo, uma perdiz pairou sobre sua cabeça. Era o espírito de Talo, acentuando a tragédia numa anunciada vingança. 

Denominou a região Icária, em memória do filho. Dédalo chegou salvo à Silicia, onde ergueu um tempo a Apolo, lá depositando as asas que ofereceu ao deus. Tornou-se um protegido no reino mas um dia Minos aportou na Trinácria à procura de Dédalo. A fim de proteger Dédalo, o rei Cócalo fingiu receber com honras o rei Minos, convidando-o para um banho quente e um banquete. 

Para repousar da fatigante viagem, Minos atendeu ao convite. Entrando na banheira, sentiu a água morna e fechou os olhos para repousar. Mas Cócalo havia premeditado matar Minos, e de repente a água começou a esquentar e ferver e, apesar dos gritos de Minos, ninguém veio a socorrê-lo. O soberano de Creta morreu sufocado pelos vapores e pelo calor. Dédalo estava livre do seu maior perseguidor, porém já não tinha mais sentido a sua liberdade. Dédalo seguiu solitário ensinando sua arte a muitos discípulos. E já muito velho, quando viu a morte chegar, Dédalo realizou seu maior sonho, vendo sua alma sem asas voar.

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