Ainda existia esperança


Comecei a notar que não estava aproveitando meu tempo como realmente queria. As horas livres deviam ser dedicadas á natureza, ao mar, aos estudos de crescimento espiritual e despertar.
Hoje, 16 de outubro, imaginei-me no mirante contemplando a super lua que apareceria no manto escuro da noite. Mas ficou somente na imaginação.
Quando ela apareceu no céu negro, timida e deslumbrante, com seu brilho alaranjado de forma grandiosa, eu estava dentro de um carro. Queria sair dali, correr nas areias da praia com seu brilho refletindo aquelas águas, a brisa salgada me sussurrando e dançando comigo. Mas eu estava presa em uma modernidade em movimento, naquele sertão com panorama tons de verde que mal se via na escuridão, longe do cheiro praiano que sentia na minha casa.
E o meu humor foi-se alterando.
Parecia até que eu tinha uma necessidade de entrar em contato com o salgado do mar e o doce da mata. E, depois de duas tentativas anteriores de ir á praia falharem, comecei a me entristecer.
Meu pai notou. Só que não notou meus porquês. Não notou o que eu pensava naquele momento.
Apenas notou a mudança sentimental e minha bruta quietude.
Conversas pra lá e prá cá com os familiares paternos.
30 minutos depois estávamos chegando no nosso bairro no litoral, as dunas começavam a aparecer nos lados da pista, e o verde ia-se dando um olá.
A lua já estava menor, mais clara, e normal como nos outros dias. Mas não deixava de estar linda.
Pegamos minha mãe na casa da avó.
Então, quando eu já estava tentando superar aquele dia, aqueles planos que não foram realizados e o tempo mal aproveitado, eis que meu pai muda de direção. E eu sabia aonde íamos.
Ele parou o carro, e minha mae se perguntou o que tinhamos na cabeça de ir á praia naquela hora.
Desci do carro feliz, tirei os chinelos e joguei-os por lá. Então eu me senti livre, correndo naquela areia, enquanto o brilho da lua refletia nas aguas do mar, dando aquela tranquilidade com sua luminosidade ao meu redor.
Me senti viva dançando com aquela ventania que bagunçava ainda mais meus cabelos de fogo, cabelos que agora estavam apagados pela agua nortuna.
Lá ao longe, dava para ver as luzes da cidade e as claridades flutuantes daqueles navios no horizonte do mar. Tantas luzes e tanta gente... Gente diferente em tudo, idéias, objetivos, filosofia de vida, pensamentos e gostos. Dava até para imaginar alguem no sofá assistindo TV, no computador, se preparando para a Segunda-Feira, comendo, dormindo, no celular, conversando na rua e pessoas no barzinho ou na praça.
E eu ali, livre como os passaros que avisto todos os dias, observando aquelas luzes misteriosas da cidade com muita vivacidade.
Ali tinha muita vida!
Pensei em sentar-me e meditar um pouco, mas meu pai já queria voltar então obedeci. Só pelo fato de ter tido este contato curto, porém encantado, foi maravilhoso e meu humor repentinamente transbordou para alegria. Meu sentimento de gratidão voltou.
E posso dizer, com toda certeza, que independente do que aconteça com todo esse sistema querendo me rebaixar, ou querendo me fazer escrava de algo manipulador e suspeito, jamais irei me entregar.
Eu nasci para ser livre, a simplicidade é minha energia, a Mãe Terra me protege e me guia, o Universo é minha companhia e a minha missão será cumprida!
Eles não sabem com quem estão lidando.