Seja em vindo o que vier por bem ^^

Livro: Um hotel na esquina do tempo



Henry Lee é um menino sino-americano de 12 anos que vive em Seattle, em uma epoca em que acontecia a Segunda Guerra Mundial e o Japão era inimigo da China. Seu pai era um chinês muito nacionalista e decidiu criar Henry como norte americano colocando para estudar como bolsista numa escola onde praticamente só tinha meninos e meninas brancos, caucasianos. Até que chegou Keiko, uma garota nipo-americana, que não fala japonês e não tem nenhum contato com o Japão já que nasceu nos Estados Unidos.
Os dois acabam criando um forte laço de amizade e você passa a acompanhar o doce lado que existiu na guerra. Em meio ao ódio, preconceito, racismo e caos que estava acontecendo nessa epoca, Henry e Keiko encontram o amor pelo Jazz e por ambos.
Até que então a guerra piora. Japão ataca EUA e a partir dai todos os japoneses, até os que nasceram nos Eua, como Keiko, são forçados a serem levados para campos de concentraçao no interior do país.
Nesse momento da história, você acha que a Guerra vai separá-los, mas o amor que os dois sentiam um pelo outro apenas os aproxima mais. Henry faz de tudo para manter contato com Keiko, prometendo esperá-la por quanto tempo for e até enfrenta seus pais. Será que os dois irão conseguir superar toda a distancia e os desafios que os impede de se aproximarem?


O primeiro romance de Jamie Ford aborda os conflitos de longa data entre pai e filho, a beleza e a tristeza do que aconteceu com os nipo-americanos em Seattle durante a Segunda Guerra Mundial e a intensidade do amor profundo e sincero. Uma estréia notável, ao mesmo tempo amarga e doce. 
Ambientado nos Estados Unidos, em uma época que o mundo sofria as conseqüências da Segunda Guerra Mundial, 'Um hotel na esquina do tempo' é um romance sobre compromisso e esperança. O poder da generosidade e do perdão mostra que o amor pode vencer qualquer obstáculo.


O livro é narrado em dois tempos: Passado e Presente. Tudo começa quando Henry de 1986, já com uns 56 anos, anda triste e solitário porque acabou de sofrer uma grande perda e a partir da reabertura do Hotel Panamá, onde se espalha a noticia de que foram encontrado pertences japoneses deixados por familias japonesas no tempo da guerra, Henry começa a se relembrar quando era o garoto de 12 anos vivendo seu primeiro amor e passando por momentos inesqueciveis que permaneceu em sua memória depois de longos anos.


Confesso que não tive grandes expectativas quando comprei e comecei a ler o livro, mas caramba, Um Hotel na Esquina Do Tempo se tornou um dos meus livros favoritos. Geralmente, quando se fala em livros que tem como epoca as Guerras Mundiais, lembramos logo dos judeus sendo perseguidos, e é incrivel como no livro se trata de como os japoneses foram tratados nos Eua na Segunda Guerra mundial. Você encontra o doce lado da armagura no romance de Henry e Keiko, um romance ingênuo que te faz emocionar e acompanhar tudo até o fim. O autor fez muito bem aproveitar desse momento histórico para  falar de amor, ódio, medo numa sociedade onde o preconceito distancia as pessoas e faz isso de maneira belíssima, sensível, única. Cada personagem tem um papel importante nesse cenário. Os meninos americanos brancos que perseguem meninos negros, chineses e japoneses. As famílias chinesas que são aliadas dos americanos na guerra, no entanto sofrem preconceito cotidiano por parte dos americanos e ao mesmo tempo sentem ódio e medo em relação aos japoneses. Os americanos descendentes de japoneses que se consideram americanos e se frustram quando são tratados como japoneses inimigos, sem nem saber falar japonês. Os negros que sofrem preconceito de todos os lados. E no final o que une todos eles é a vontade de viver naquela cidade e sobreviver à crise ética, moral e financeira durante uma guerra mundial.
 Mesmo assim o livro não é histórico, é um romance inserido num contexto histórico importante como a segunda guerra mundial, mas é um lindo romance. 

É triste pensar no que a guerra é capaz de fazer, mas é bom saber que o amor é capaz de resistir. Porque tem coisas que nem mesmo a guerra é capaz de destruir.
Um livro de esperança, doçura, sensibilidade e amor em meio ao caos.
Gostaria de ler mais romances como esse, até quem não gosta desse gênero vai curtir esse livro. Vai por mim. Recomendo demais.

5/5